quarta-feira, 20 de julho de 2011
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
EDUCAÇÃO: ALGO ENTRE O DESCASO E A CATÁSTROFE
Geraldo Aparecido Ribeiro de Souza
1. DESCASO DOS PROFISSIONAIS
A educação no Brasil sofreu grandes transformações do ponto de vista legal, com grandes avanços, principalmente no tocante às políticas públicas, aos objetivos e parâmetros curriculares nacionais, porém esqueceu-se de transformar também as relações entre os políticos e as instituições onde se dá a educação básica. Em muitos municípios do país, o que vigora como “Lei” ao proverem-se cargos, contraria aspectos para provimento de cargos previstos pela Constituição Federal de 1988, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9394 de 1996, e pela lei de regulamentação do FUNDEB de 2008.
Habituou-se ter quaisquer pessoas dando pareceres, opiniões, e atuando como professores, sem o menor preparo ou capacitação para sequer falar sobre o processo ensino aprendizagem, pessoas que nunca dedicaram um segundo a compreender como se dá o processo de aprendizagem, ou debruçaram-se para propor melhores técnicas de ensino. Em muitas escolas públicas e particulares, em todos os níveis de ensino encontramos bacharéis de diversas áreas atuando no lugar de licenciados, e quem lhes deu este suposto direito foram os políticos, que por décadas a fio introduziram seus apadrinhados nos cargos de professores, vice-diretores, diretores e Secretários de Educação.
É obvio que nós licenciados fomos omissos e coniventes com esta situação, já que em muitas cidades o número de funcionários efetivos habilitados nas diversas licenciaturas é insuficiente, e aceitamos que médicos, advogados, tradutores, jornalistas, engenheiros, filósofos, psicólogos, dentistas, enfermeiros, bibliotecários, e um sem fim de profissionais que não se colocaram em suas áreas de origem migrassem para a educação, para fazer “um bico”, enquanto aguardam uma oportunidade “melhor” em suas próprias áreas. Devido à “carência” de profissionais, aceitamos que leigos alfabetizem nossas crianças.
Programas de TV satirizam nossa profissão, banalizam a importância de nossos estudos específicos em seriados e novelas onde o profissional da educação é alcoolista, pedófilo, cleptomaníaco, drogado, ninfomaníaco, preconceituoso, ou apalermado, isso quando não é metido a herói e capaz de resolver todas as mazelas da sociedade.
Mas o realmente frustrante é que longe das aberrações da dramaturgia tosca das grandes redes, políticos acreditem ter maior autoridade que especialistas em educação para definir quem trabalha ou não trabalha nas escolas. Temos profissionais com formação secundarista em Magistério, e graduação em Pedagogia, lecionando disciplinas específicas do Ensino Fundamental II e Médio, quando sua formação os habilita a atuar com pré-escolarização, alfabetização e formação básica dos anos iniciais do Ensino Fundamental I, e no caso dos Pedagogos, Coordenação e Direção Escolar, mantidos por políticos.
Nestes grupos de políticos temos membros do legislativo e do executivo, cujo único interesse é o poder; a fim de controlar a sociedade, perseguem aqueles que não lhes são úteis, ou melhor, favoráveis, mantendo a frente das Secretarias da Educação, Direção de escolas e salas de aulas aqueles que possam fazer com que sejam formados novos eleitores destes mesmos políticos.
2. OS DESMANDOS NA TERRA MATER
Tomando como exemplo especificamente o Município de Porto Seguro, nossa desolada Terra Mater, cujo IDEB (índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é 3,0 (três), nós vemos que a situação não poderia ser pior. O atual prefeito Gilberto Abade não deu posse aos professores e demais profissionais em educação, aprovados no último concurso realizado pela Gestão do então prefeito Jânio Natal (do mesmo partido). Contrariando as bases do próprio partido, o PSB (Partido Socialista Brasileiro), o Prefeito determinou que fossem feitas contratações para a pasta da Educação, como o Secretário, Caetano Cupolo, indicado pelo PT (Partido dos Trabalhadores), que não pertence ao quadro de funcionários efetivos do Município de Porto Seguro. Este por sua vez deu prosseguimento às contratações trazendo colaboradores para formar sua equipe dos quais muitos também não possuem vínculo funcional efetivo com o Município de Porto Seguro, mas sim com o PT.
Até aqui tudo “aceitável” já que as pessoas contratadas ou desviadas de função são profissionais da educação habilitados e licenciados. Esta equipe por sua vez selecionou dentre os profissionais efetivos com mais de cinco anos no exercício de suas funções aqueles que estariam aptos a serem nomeados Diretores escolares, considerando-se sua formação, e contribuição com a melhora da educação de Porto Seguro. Estes professores indicados como diretores iniciaram desde fevereiro deste ano suas funções nas respectivas escolas, organizando-as para o início do ano letivo, que foi adiado pela falta de licitação para compra da merenda escolar, e de outras compras emergenciais básicas para o inicio do ano.
Caberia ao Prefeito a partir daí decretar as portarias, para que estes diretores e vice-diretores pudessem encaminhar a parte burocrática e documental das escolas. Porém vereadores da coligação político-partidária, que se elegeram com o prefeito, começaram a exigir os cargos de direção e vice-direção das escolas, para seus apadrinhados (em geral colaboradores de campanha). Desconsiderando toda a análise previamente feita pela equipe de especialistas da Secretaria da Educação e o trabalho já realizado por estes profissionais, o prefeito alterou os nomeados na publicação dos decretos das portarias para os cargos de diretor e vice-diretor,colocando os nomes daqueles indicados por vereadores e administradores distritais cuja formação não passa do ensino fundamental! Além disso, autorizou a contratação de professores sem respeitar a classificação no concurso público, o que parece contar novamente com a influência nociva dos vereadores, administradores distritais e dos próprios diretores apadrinhados. Resta saber o que o Ministério Público pretende fazer quanto a todos estes desmandos cometidos pela classe de politiqueiros que infestam a câmara de vereadores e o poder executivo deste município.
Vale lembrar que a Legislação Municipal para o provimento destes cargos, foi alterada no governo Jânio Natal; as exigências mínimas para o provimento destes cargos, da forma como estão agora estabelecidas, desrespeitam o que reza a LDB 9394/96, a Constituição Federal, a Constituição Estadual e a própria proposta de regimento comum das escolas desta administração. Quem tem entendimento para ler, leia-as, está na Lei que quem decide quem serão os Gestores Escolares é a comunidade escolar e não os vereadores e administradores distritais, e tampouco o prefeito.
3. O DESCASO COM A MANUTENÇÃO DO PATRIMÔNIO PÚBLICO
Todas as escolas do Município de Porto Seguro estão em condições de sucateamento, seja este patrimonial, estrutural ou dos equipamentos. Nem mesmo escolas tidas como modelo quando de sua inauguração, ou escolas recentemente reformadas podem ser classificadas como em perfeitas condições para o funcionamento.
Existem escolas que não iniciaram o ano letivo por falta da mínima estrutura de funcionamento, como o Brigadeiro no Arraial d’Ajuda. Há escolas que aparentemente estão bem, com sala de informática, biblioteca, banheiros com saboneteiras, que escondem, porém, por trás das fachadas grandiosas, problemas graves de infiltração, de eletrificação, gotejamento, como Escola Municipal de Itaporanga. Parecem estar aguardando que ocorra alguma catástrofe envolvendo alunos, como a do telhado da Escola Municipal Honorina Passos, em Trancoso que por pouco não desabou na cabeça dos alunos da 1ª série, em 2006. Por falar em Trancoso, desde 2003 a escola citada funciona em 4 turnos, enquanto que a escola Maria dos Anjos não possui prédio próprio para o funcionamento, ora funcionando em casas adaptadas e desde 2005 ocupa o prédio do Colégio Estadual Elba Ramalho no turno vespertino. As escolas rurais não passam de galpões amontoados de carteiras, sem estrutura de encanamentos, esgotamento sanitário, e algumas sequer possuem energia elétrica.
Em algumas escolas há falta de portas, janelas, banheiros, carteiras, o que torna vergonhoso falar de falta de ventiladores, computadores, armários, arquivos, copiadoras.
É evidente que cada comunidade percebe quais são as necessidades de suas escolas, e não serei eu o único cidadão indignado a listar as deficiências acumuladas desde o governo do finado “João da sunga”. É inegável que algumas comunidades foram beneficiadas com escolas grandes, bem equipadas, mas que por mal gerenciamento por parte dos diretores apadrinhados, tiveram seus equipamentos sucateados, roubados e quebrados, vide as mega escolas construídas nas gestões do Senhor Ubaldino Júnior, no Centro, Arraial d’Ajuda e Frei Calixto, que antes do término do mandato já estavam com seus equipamentos tecnológicos com defeito, ou simplesmente subtraídos da escola, e que iniciaram o corrente ano sem condições de pleno funcionamento, ou com funcionamento precário.
Alguns ainda tentam justificar que é a própria comunidade que destrói a escola, danifica seus equipamentos, porém o fato é que não houve manutenção, ou ao menos cuidado e preservação por parte dos gestores destas escolas.
Não quero aqui ser injusto, sabemos que houve escolas que conseguiram manter o pouco que tinham e até puderam recuperar alguma coisa, mas nestas escolas, o principal agente foi a união do gestor, comunidade escolar e unidade executora que puderam favorecer a preservação do patrimônio escolar.
Além de verbas, materiais e administração, a manutenção carece de pessoal qualificado para desempenhar as funções de manutenção. A administração distrital possui funcionários, mas estes não executam os reparos dentro das escolas, como se a manutenção do patrimônio público não incluísse as escolas públicas. Muitas escolas funcionaram durante o ano passado com déficit de pessoal para a limpeza, manutenção e vigilância, e este déficit não foi sanado com a realização do concurso, já que o ministério público não autorizou a prefeitura a dar posse a todos os aprovados até que as carências fossem todas sanadas.
4. O DESRESPEITO DA FUNÇÃO E DO CARGO
O cargo ocupado por muitos de nós nada tem a ver com a função para a qual prestamos concurso. O desvio de função talvez seja um dos maiores problemas a serem superados para podermos regularizar o quadro funcional. Temos auxiliares de serviços gerais exercendo cargo de porteiro, vigilante ou merendeira. Merendeiras exercendo a função de auxiliares administrativos, inspetores de classe na vice-direção de escolas ou na secretaria, professores exercendo cargos administrativos na secretaria, direção e vice-direção e coordenação escolar, e nem sempre estes possuem o conhecimento necessário para o exercício da função que desempenham. Como queremos melhorar a qualidade da educação de um país, se não conseguimos garantir que uma escola tenha todos os seus funcionários exercendo as funções para as quais foram concursados, e nem garantimos que quando estes estão nas suas funções, tenham real qualificação para exercê-la?
O descaso não é apenas do governo, é da própria comunidade que não exige a qualificação necessária para que os funcionários da escola, ou de quaisquer instâncias da administração pública, tenham a formação, ou a qualificação necessária ao exercício do cargo em que está colocado, seja por concurso, contratação ou nomeação.
Em contra partida, as contratações não seguem um critério de qualificação para o cargo e sim o de indicação política, ou melhor, indicação de políticos. Estão interessados apenas em distribuir aos seus colaboradores de campanha cargos com os quais eles possam controlar de perto o que acontece na comunidade, não para sanar os problemas, mas apenas para exercer o controle, garantindo a manutenção de seu poder sobre a comunidade.
1. DESCASO DOS PROFISSIONAIS
A educação no Brasil sofreu grandes transformações do ponto de vista legal, com grandes avanços, principalmente no tocante às políticas públicas, aos objetivos e parâmetros curriculares nacionais, porém esqueceu-se de transformar também as relações entre os políticos e as instituições onde se dá a educação básica. Em muitos municípios do país, o que vigora como “Lei” ao proverem-se cargos, contraria aspectos para provimento de cargos previstos pela Constituição Federal de 1988, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9394 de 1996, e pela lei de regulamentação do FUNDEB de 2008.
Habituou-se ter quaisquer pessoas dando pareceres, opiniões, e atuando como professores, sem o menor preparo ou capacitação para sequer falar sobre o processo ensino aprendizagem, pessoas que nunca dedicaram um segundo a compreender como se dá o processo de aprendizagem, ou debruçaram-se para propor melhores técnicas de ensino. Em muitas escolas públicas e particulares, em todos os níveis de ensino encontramos bacharéis de diversas áreas atuando no lugar de licenciados, e quem lhes deu este suposto direito foram os políticos, que por décadas a fio introduziram seus apadrinhados nos cargos de professores, vice-diretores, diretores e Secretários de Educação.
É obvio que nós licenciados fomos omissos e coniventes com esta situação, já que em muitas cidades o número de funcionários efetivos habilitados nas diversas licenciaturas é insuficiente, e aceitamos que médicos, advogados, tradutores, jornalistas, engenheiros, filósofos, psicólogos, dentistas, enfermeiros, bibliotecários, e um sem fim de profissionais que não se colocaram em suas áreas de origem migrassem para a educação, para fazer “um bico”, enquanto aguardam uma oportunidade “melhor” em suas próprias áreas. Devido à “carência” de profissionais, aceitamos que leigos alfabetizem nossas crianças.
Programas de TV satirizam nossa profissão, banalizam a importância de nossos estudos específicos em seriados e novelas onde o profissional da educação é alcoolista, pedófilo, cleptomaníaco, drogado, ninfomaníaco, preconceituoso, ou apalermado, isso quando não é metido a herói e capaz de resolver todas as mazelas da sociedade.
Mas o realmente frustrante é que longe das aberrações da dramaturgia tosca das grandes redes, políticos acreditem ter maior autoridade que especialistas em educação para definir quem trabalha ou não trabalha nas escolas. Temos profissionais com formação secundarista em Magistério, e graduação em Pedagogia, lecionando disciplinas específicas do Ensino Fundamental II e Médio, quando sua formação os habilita a atuar com pré-escolarização, alfabetização e formação básica dos anos iniciais do Ensino Fundamental I, e no caso dos Pedagogos, Coordenação e Direção Escolar, mantidos por políticos.
Nestes grupos de políticos temos membros do legislativo e do executivo, cujo único interesse é o poder; a fim de controlar a sociedade, perseguem aqueles que não lhes são úteis, ou melhor, favoráveis, mantendo a frente das Secretarias da Educação, Direção de escolas e salas de aulas aqueles que possam fazer com que sejam formados novos eleitores destes mesmos políticos.
2. OS DESMANDOS NA TERRA MATER
Tomando como exemplo especificamente o Município de Porto Seguro, nossa desolada Terra Mater, cujo IDEB (índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é 3,0 (três), nós vemos que a situação não poderia ser pior. O atual prefeito Gilberto Abade não deu posse aos professores e demais profissionais em educação, aprovados no último concurso realizado pela Gestão do então prefeito Jânio Natal (do mesmo partido). Contrariando as bases do próprio partido, o PSB (Partido Socialista Brasileiro), o Prefeito determinou que fossem feitas contratações para a pasta da Educação, como o Secretário, Caetano Cupolo, indicado pelo PT (Partido dos Trabalhadores), que não pertence ao quadro de funcionários efetivos do Município de Porto Seguro. Este por sua vez deu prosseguimento às contratações trazendo colaboradores para formar sua equipe dos quais muitos também não possuem vínculo funcional efetivo com o Município de Porto Seguro, mas sim com o PT.
Até aqui tudo “aceitável” já que as pessoas contratadas ou desviadas de função são profissionais da educação habilitados e licenciados. Esta equipe por sua vez selecionou dentre os profissionais efetivos com mais de cinco anos no exercício de suas funções aqueles que estariam aptos a serem nomeados Diretores escolares, considerando-se sua formação, e contribuição com a melhora da educação de Porto Seguro. Estes professores indicados como diretores iniciaram desde fevereiro deste ano suas funções nas respectivas escolas, organizando-as para o início do ano letivo, que foi adiado pela falta de licitação para compra da merenda escolar, e de outras compras emergenciais básicas para o inicio do ano.
Caberia ao Prefeito a partir daí decretar as portarias, para que estes diretores e vice-diretores pudessem encaminhar a parte burocrática e documental das escolas. Porém vereadores da coligação político-partidária, que se elegeram com o prefeito, começaram a exigir os cargos de direção e vice-direção das escolas, para seus apadrinhados (em geral colaboradores de campanha). Desconsiderando toda a análise previamente feita pela equipe de especialistas da Secretaria da Educação e o trabalho já realizado por estes profissionais, o prefeito alterou os nomeados na publicação dos decretos das portarias para os cargos de diretor e vice-diretor,colocando os nomes daqueles indicados por vereadores e administradores distritais cuja formação não passa do ensino fundamental! Além disso, autorizou a contratação de professores sem respeitar a classificação no concurso público, o que parece contar novamente com a influência nociva dos vereadores, administradores distritais e dos próprios diretores apadrinhados. Resta saber o que o Ministério Público pretende fazer quanto a todos estes desmandos cometidos pela classe de politiqueiros que infestam a câmara de vereadores e o poder executivo deste município.
Vale lembrar que a Legislação Municipal para o provimento destes cargos, foi alterada no governo Jânio Natal; as exigências mínimas para o provimento destes cargos, da forma como estão agora estabelecidas, desrespeitam o que reza a LDB 9394/96, a Constituição Federal, a Constituição Estadual e a própria proposta de regimento comum das escolas desta administração. Quem tem entendimento para ler, leia-as, está na Lei que quem decide quem serão os Gestores Escolares é a comunidade escolar e não os vereadores e administradores distritais, e tampouco o prefeito.
3. O DESCASO COM A MANUTENÇÃO DO PATRIMÔNIO PÚBLICO
Todas as escolas do Município de Porto Seguro estão em condições de sucateamento, seja este patrimonial, estrutural ou dos equipamentos. Nem mesmo escolas tidas como modelo quando de sua inauguração, ou escolas recentemente reformadas podem ser classificadas como em perfeitas condições para o funcionamento.
Existem escolas que não iniciaram o ano letivo por falta da mínima estrutura de funcionamento, como o Brigadeiro no Arraial d’Ajuda. Há escolas que aparentemente estão bem, com sala de informática, biblioteca, banheiros com saboneteiras, que escondem, porém, por trás das fachadas grandiosas, problemas graves de infiltração, de eletrificação, gotejamento, como Escola Municipal de Itaporanga. Parecem estar aguardando que ocorra alguma catástrofe envolvendo alunos, como a do telhado da Escola Municipal Honorina Passos, em Trancoso que por pouco não desabou na cabeça dos alunos da 1ª série, em 2006. Por falar em Trancoso, desde 2003 a escola citada funciona em 4 turnos, enquanto que a escola Maria dos Anjos não possui prédio próprio para o funcionamento, ora funcionando em casas adaptadas e desde 2005 ocupa o prédio do Colégio Estadual Elba Ramalho no turno vespertino. As escolas rurais não passam de galpões amontoados de carteiras, sem estrutura de encanamentos, esgotamento sanitário, e algumas sequer possuem energia elétrica.
Em algumas escolas há falta de portas, janelas, banheiros, carteiras, o que torna vergonhoso falar de falta de ventiladores, computadores, armários, arquivos, copiadoras.
É evidente que cada comunidade percebe quais são as necessidades de suas escolas, e não serei eu o único cidadão indignado a listar as deficiências acumuladas desde o governo do finado “João da sunga”. É inegável que algumas comunidades foram beneficiadas com escolas grandes, bem equipadas, mas que por mal gerenciamento por parte dos diretores apadrinhados, tiveram seus equipamentos sucateados, roubados e quebrados, vide as mega escolas construídas nas gestões do Senhor Ubaldino Júnior, no Centro, Arraial d’Ajuda e Frei Calixto, que antes do término do mandato já estavam com seus equipamentos tecnológicos com defeito, ou simplesmente subtraídos da escola, e que iniciaram o corrente ano sem condições de pleno funcionamento, ou com funcionamento precário.
Alguns ainda tentam justificar que é a própria comunidade que destrói a escola, danifica seus equipamentos, porém o fato é que não houve manutenção, ou ao menos cuidado e preservação por parte dos gestores destas escolas.
Não quero aqui ser injusto, sabemos que houve escolas que conseguiram manter o pouco que tinham e até puderam recuperar alguma coisa, mas nestas escolas, o principal agente foi a união do gestor, comunidade escolar e unidade executora que puderam favorecer a preservação do patrimônio escolar.
Além de verbas, materiais e administração, a manutenção carece de pessoal qualificado para desempenhar as funções de manutenção. A administração distrital possui funcionários, mas estes não executam os reparos dentro das escolas, como se a manutenção do patrimônio público não incluísse as escolas públicas. Muitas escolas funcionaram durante o ano passado com déficit de pessoal para a limpeza, manutenção e vigilância, e este déficit não foi sanado com a realização do concurso, já que o ministério público não autorizou a prefeitura a dar posse a todos os aprovados até que as carências fossem todas sanadas.
4. O DESRESPEITO DA FUNÇÃO E DO CARGO
O cargo ocupado por muitos de nós nada tem a ver com a função para a qual prestamos concurso. O desvio de função talvez seja um dos maiores problemas a serem superados para podermos regularizar o quadro funcional. Temos auxiliares de serviços gerais exercendo cargo de porteiro, vigilante ou merendeira. Merendeiras exercendo a função de auxiliares administrativos, inspetores de classe na vice-direção de escolas ou na secretaria, professores exercendo cargos administrativos na secretaria, direção e vice-direção e coordenação escolar, e nem sempre estes possuem o conhecimento necessário para o exercício da função que desempenham. Como queremos melhorar a qualidade da educação de um país, se não conseguimos garantir que uma escola tenha todos os seus funcionários exercendo as funções para as quais foram concursados, e nem garantimos que quando estes estão nas suas funções, tenham real qualificação para exercê-la?
O descaso não é apenas do governo, é da própria comunidade que não exige a qualificação necessária para que os funcionários da escola, ou de quaisquer instâncias da administração pública, tenham a formação, ou a qualificação necessária ao exercício do cargo em que está colocado, seja por concurso, contratação ou nomeação.
Em contra partida, as contratações não seguem um critério de qualificação para o cargo e sim o de indicação política, ou melhor, indicação de políticos. Estão interessados apenas em distribuir aos seus colaboradores de campanha cargos com os quais eles possam controlar de perto o que acontece na comunidade, não para sanar os problemas, mas apenas para exercer o controle, garantindo a manutenção de seu poder sobre a comunidade.
domingo, 26 de outubro de 2008
O dia em que cheguei em Trancoso
Era quinta-feira, 12 de janeiro de 1998, quando embarquei em um ônibus da Viação São Geraldo, de São Paulo, mais especificamente Rodoviária do Tietê, para a desconhecida por mim, Porto Seguro, chamada Terra Mater Brasileira.
Tudo certo para a minha segunda tentativa de embarque, (eu fora assaltado em 24 de dezembro de 2007 bem na porta da rodoviária, tentando fazer a mesma viagem, e não deu pra embarcar), mas desta vez era diferente, peguei o dinheiro para passar os 15 dias de férias e guardei , muquiado na bolsa com as roupas, junto com a barraca no maleiro, os R$ 470,00, o suficiente pras passagens, camping e necessidades básicas: preservativos, bebidas e ingressos para as raves. Comigo na muchila apenas R$ 170,00, assim divididos R$ 65,00 para passagem de ida, R$ 70,00 para passagem de volta (aliás nunca entendi direito porque o trajeto sendo o mesmo tem diferença de preços), e o restante para despesas de almoço, café, e guloseimas durante as diversas paradas. E na carteira R$ 20,00 caso alguém viesse tentar me roubar de novo.
Embarquei rumo ao desconhecido, era a primeira vez que viajava completamente só, isso aos 29 anos de idade, (pensando nesse detalhe sinto-me um idiota, mas como disse o saudoso RenatoRusso, "... e aos vinte e nove, com o retorno de Saturno, decidi começar a vivier..." ), bom continuando, a viagem foi tranquilíssima, tanto que quase não desci do ônibus nas paradas, pois era como se estivesse em estado de ibernação, (é com ou sem H? Sei lá, depois eu olho e corrijo se lembrar), as 26 horas de viagem foram como um lindo e maravilhoso sonho, até eu descer do ônibus e constatar que minha barraca e bolsa de roupas, (lebram? Lá onde eu muquiei o dinheiro da estadia?), estraviaram numa cidade visinha a duas horas e meia de Porto Seguro, uma das paradas em que estava hibernando.( é com H mesmo, já verifiquei no Dic. Michaelis do "coputer").
Entre brigas e discussões, fui informado de que, se fosse encontrada, a mala não seria enviada para Porto Seguro, ela retornaria pra São Paulo, mais exatamente no meu endereço em São Bernardo do Campo, pois era o endereço que constava nas fichas ao lado da bolsa e da barraca.
Decidi então seguir para Trancoso, não fazia idéia de onde ficava, só sabia que tinha que pegar um ônibus da Rodoviária até a Balsa, e do outro lado pegar um ônibus para Trancoso. Entre o horário de chegada em Porto Seguro, 17:00h e o de travessia da Balsa 19:00, não havia perguntado a ninguém sobre a distância de Porto Seguro a Trancoso, e muito menos sobre os horários do ônibus para Trancoso. Foi uma simpatica senhora que vendo minha cara de turista perdido perguntou-me:
- Tá indo pro Arraial d'Ajuda?
- Não, vou pra Trancoso! - respondi tentando ser simpático.
- Mas não tem mais condução pra lá nesse horário. - disse-me ela com ar preocupado.
- Não tem problema, eu vou andando. - respondi tentando não entrar em pânico por estar longe do meu destino final e sem dinheiro. Porém para acabar com minhas esperanças, ela finalizou quaisquer chances de saída:
- Você vai andar 22 quilómetros, de noite, numa estrada de terra que passa pelo meio da mata? É melhor ficar no Arraial.
Graças a Deus, aquela sexta-feira ainda guardava boas surpresas, mas isso eu continuo outro dia! Tá na hora de fazer naninha, né meu amor? Desculpem, falava com minha filha de dois anos, mas ela vai aparecer na história só depois. Boa Noite!
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